


Sinto falta do passado. Sinto falta de como tudo era antigamente. Sinto falta de minha infância e de como era feliz nela. Sinto falta da minha ingenuidade e da minha facilidade de lidar com as coisas e com as pessoas. Sinto falta da minha alegria ao acordar para ir à escola quando pequena. Sinto falta da alegria que sentia ao ver todos os meus colegas em minha classe e do meu pensamento de que todos eles eram meus amigos. Sinto falta de como podia ser “livre”: brincar, falar e fazer qualquer coisa sem ter medo de errar ou ser julgada por isso. Sinto falta de quando acordava cedo com o único intuito de ir para a sala com meu cobertor para assistir desenhos. Sinto falta de quando eu brincava com bonecas e de como me importava com elas como se fossem minhas filhas. Sinto falta das histórias que minha vó me contava de vez em quando, que me faziam viajar por um mundo mágico formado por minha imaginação. Sinto falta de quando minhas preocupações ou problemas não existiam ou de quando minhas brigas com meu pai ou minha mãe também não existiam. Sinto falta de me “apaixonar”, de sentir aquela “paixão de criança” que nunca me machucava de verdade. Sinto falta de muitas coisas, muitas que são até impossíveis de se contar. Muitas coisas que já passaram e que não voltam mais… Quem me dera eu pudesse voltar no tempo e viver tudo aquilo de novo, passo a passo, sentindo toda a felicidade da minha infância de volta. Mas não dá, não é? Passado é passado. Já passou e não volta, infelizmente. E agora, as únicas coisas que me restam são lembranças. Antigas e profundas lembranças das quais sempre sentirei falta e das quais sempre farão parte de mim.
Ariel Janousek, emocione-se